domingo, março 05, 2006

Crítica no JL

Usa dizer-se que a voz é o espelho da alma. Nada mais certo. Cada voz tem algo pessoal, impossível de iludir. A voz expõe. Compor para voz - apenas para voz e para voz a cappella - representa o mesmo risco. A exposição. Eurico Carrapatoso é o primeiro a reconhecê-lo: «Ali, no coro a cappella, estamos por nossa conta».
(A) percepção de conjunto, o entendimento das muitas linhas que nele se desenvolvem e se combinam, está sempre presente, (...) nas peças para coro a cappella ou para voz e acompanhamento, como as que surgem agora em dois discos: A Cappella, pelo Coro de Câmara de Lisboa, e Magnificat em Talha Dourada, pelo Grupo Vocal Olisipo. Magnificat em Talha Dourada foi estreado em Lisboa, em 1998, e tem sido, até agora, um dos muitos segredos demasiado bem guardados da música portuguesa. Funda-se na linguagem barroca, sugerida pelo título, tem JS Bach e Giovanni Battista Pergolesi por perto, mas é sobretudo a belíssima expressão de Carrapatoso que marca a obra: o gosto da harmonização, a combinação dos universos sacro e profano e um movimento hipnótico que avança desde o primeiro momento. O Magnificat culmina na citação da melodia Ó Meu Menino, na Glória, atribuindo à música a calma «de todo o Alentejo do mundo».Os intérpretes confirmam-lhe a beleza: a soprano Angélica Neto, o Grupo Vocal Olisipo, o violinista Tiago Neto, o flautista António Carrilho e a cravista Jenny Silvestre. A gravação foifeita no Festival dos Capuchosde 2000 e os quase cinco minutos de aplausos que se ouvem no final são merecidos.

1 comentário:

Anónimo disse...

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